O rico e Lázaro e o Estado intermediário da Alma

O rico e Lázaro e o Estado intermediário da Alma

A vida humana é passageira e todos estamos sujeitos a morte. Apesar de muitos buscarem refúgios em suas riquezas aqui na terra, nada do que se conquistou poderá ser levado consigo após a morte.

A passagem do rico e Lázaro nos traz diversos ensinamentos, um deles é mostrar que a vida na terra é finita, tão cedo partiremos e iremos para um estado onde aguardaremos a ressurreição.

Uma lição muito importante a se destacar é que não adianta vivermos incessantemente como se a nossa vida se resumisse somente aqui na terra. Mesmo que se conquiste todos os prazeres desse mundo, de nada valerão após a morte.

O sofrimento e a angústia que se passará no inferno abarcarão todo o prazer tido em sua vida terrena, porém, para aqueles que sofrem, mas permanecem em Cristo aqui na terra, a recompensa será infinitamente maior do que o maior e mais valioso tesouro deste mundo.

A dificuldade de um rico ir para o céu

O texto do jovem rico em Marcos 10:25 diz que "É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus", isto elucida muito bem o quão difícil é ser rico e servo de Deus. Com o homem rico não foi diferente, ele tinha tudo o que queria, a sua riqueza poderia comprar os melhores prazeres desse mundo, porém, ele não possuía a Salvação.

Note que, para ir morar no céu, o cristão não deve ser necessariamente pobre. Os bens materiais até que são bem vindos, pois eles ajudam a ter uma vida financeira estável e com algumas regalias.

Entretanto, nem todas pessoas parecem estarem preparadas para uma abundante riqueza, já que o dinheiro pode cegar aos mais fracos, fazendo com que se retire a confiança em Deus e a ponha em suas riquezas.

Infelizmente, muitos desenvolvem uma mentalidade errônea de que possuem tudo o que precisam para ter uma vida de qualidade, tendo segurança, casa luxuosa, amizades de pessoas poderosas e todo o prazer que este mundo tem a oferecer, ou seja, para a maioria das pessoas que possuem muito dinheiro, Deus não pode acrescentar mais nada a elas, já que possuem tudo.

Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Marcos 8:36 - ACF

O rico e Lázaro, qual deles é o mendigo?

Em Lucas 16:19-31, é contado uma história real - não uma parábola - sobre um homem rico e um mendigo chamado Lázaro. Podemos dizer que os dois foram mendigos, só que em tempos distintos.

Lázaro foi pobre e miserável na terra, ele sofreu horrores. Porém, após a sua morte, ele pode descansar juntamente com todos os grandes homens de Deus como Abraão, Isaque, Jacó, José, Eliseu, Davi, Jonas, Isaías, Jeremias, Daniel, dentre outros.

O homem rico perdeu todas as riquezas, tudo que ele tinha conquistado ficou para trás. Após a sua morte, o seu corpo voltou para o pó da terra e apesar dele não ter ido diretamente para o inferno, ainda sim, ele padece de um terrível sofrimento, e agora, ele se tornou um mendigo.

Morte física e espiritual

Antes de chegarmos a tratar sobre o Estado intermediário da alma, vale destacar dois conceitos muito importantes, a morte física e a morte espiritual, onde estes, servirão como base para melhor entendermos a doutrina do Estado intermediário.

Diferença entre morte física e morte espiritual

A morte física é o término da vida no corpo humano, ou seja, é quando o nosso corpo físico retorna para o pó da terra, o seu lugar de origem natural.

O fato de todo o ser humano ter que enfrentar a morte física, é uma consequência do pecado de Adão e Eva, onde, por conta da desobediência deles para com Deus, todos estamos condenados.

A morte espiritual significa a separação permanente do homem para com Deus. Quem aceitar a Jesus como único e suficiente Salvador e segui-lo, será salvo, ou seja, não morrerá espiritualmente.

Entretanto, para aqueles que morreram sem Cristo, enfrentarão a morte espiritual, diferentemente da morte física, ela é eterna, é um estado permanente de separação total entre o homem e Deus.

O Estado intermediário

A doutrina do Estado intermediário consiste no período entre a morte física e a ressurreição dos mortos. Há muitas teorias a respeito desse assunto, porém, o que a Bíblia nos confirma é que após a morte, todos irão para um estado intermediário, onde aguardarão pela ressurreição final.

E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. Daniel 12:2 - ACF

O Estado intermediário do cristão

E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. Lucas 16:22 - ACF

O texto de Lc 16:22 diz que Lázaro foi "levado pelos anjos para o "seio de Abraão". Claramente, os anjos não levam ninguém aos túmulos, mas sim ao paraíso, portanto, essa expressão traz o significado de Paraíso.

Certamente, todas as almas justas foram salvas e permanecem aguardando a ressurreição final. O Pr. Antônio Gilberto, diz que apesar das almas estarem na presença do Senhor, os salvos ainda não foram transformados, pois isto ocorrerá somente no advento da ressurreição.

O Estado intermediário do ímpio

23 E no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio.
24 E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.
Lucas 16:23-25 - ACF

O Hades, é um lugar onde se encontra a alma e o espírito de pessoas injustas. Em algumas versões bíblicas, a palavras Hades é traduzida como inferno.

É neste lugar que o homem rico se encontra, por conta disso, ele agora passa por uma grande atormentação, e mesmo que fosse um incrédulo, seria impossível não acreditar em Deus e se arrepender amarguradamente de tudo que fez na terra.

Podemos destacar alguns pontos que levaram ao homem rico padecer grande sofrimento, são eles:

  • Angústia por ver as almas justas as quais muita delas foram desprezadas, mas agora elas se encontram regozijando da vida eterna e todas as bençãos que virão provenientes de Deus.
  • Repugnarão total ao mesmo mal que ele cometeu em seus dias na terra.
  • Lamentação eterna por não conseguir voltar ao passado e fazer o bem que não fez enquanto tinha vida na terra.
  • Terrível dor por tudo quanto fez de ruim, porém nada disso pode ser mais reparado.
  • Ausência de esperança em escapar do inferno, pois este agora reconhece a veracidade da palavra de Deus.
  • Separação total entre os justos e injustos.
  • Reconhecimento de que agora ele é o mendigo, e se possível, trocaria de lugar com a vida de Lázaro enquanto mendigo na terra, só para fazer o que era reto e ganhar a Salvação.
  • Arrependimento por não ter ouvido a palavra de Deus e ter feito o que era certo no tempo certo.
  • Dor eterna em saber que possivelmente muitos do seus familiares ou amigos mais próximos se ajuntarão a ele, porém, nada se pode fazer para reverter essa situação.

O abismo entre Hades e o Paraíso

E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. Lucas 16:26 - ACF

Um grande abismo impede que as almas de pessoas infiéis passem para o lado onde os justos se encontram. Ademais, mesmo havendo um abismo intransponível, o homem rico consegue ver e dialogar com os que estavam no Paraíso.

A desespero dos que se encontram no Hades

27 E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,
28 Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.
29 Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.
30 E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam.
31 Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.
Lucas 16:27-31 - ACF

No versículo 27, estamos diante da única oração registrada nas escrituras que foi destinada a um santo que já morreu. Porém, assim como, não há nenhum efeito nas orações que os vivos fazem para homens santos que já morreram, da mesma forma, a oração aqui realizada não foi atendida.

O pedido que o homem rico faz a Abraão, mostra que ele já conhecia a Deus. Porém não há mais a possibilidade de Salvação para os que já morreram e foram para o Hades. A partir disso, não há nada que se possa fazer mudar essa situação, nem por si mesmo, ou pelas outras pessoas que ainda estão vivas.

Após o pedido, Abraão dar uma resposta definitiva e que serve para todas os que permanecem vivos. Ele fala ao rico que há homens na terra que carregam a palavra de Deus, quem ouvir e obedecê-la, será salvo, mas quem der as costas a ela, será condenado.

Ainda insistindo, é solicitado a Abraão que envie pelo menos alguém para alertar a família dele, entretanto, mesmo que esse pedido fosse atendido, não teria sucesso. A própria Escritura mostra a história de Jesus, onde o Filho de Deus veio a terra trazendo as boas novas, este morreu e ressuscitou, porém, muitos permanecem não acreditando em Deus.

É confirmado no verso 30, que as escrituras são provenientes de uma inspiração divina, pois o homem só pode livrar a sua alma do inferno, se ele crer e andar conforme a palavra de Deus. Logo, nem mesmo alguém que já morreu pode convencer um vivo somente com o seu testemunho.

Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, ainda sim, muitos não o reconheceram, negando-O e blasfemando contra o próprio Filho de Deus. Os homens não se convenceram da realidade do inferno e da vida em um estado intermediário, ambos comprovados por Cristo depois que voltou dentre os mortos.