Como funcionava o socialismo na União Soviética?

Como funcionava o socialismo na União Soviética?

“O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”, esta citação foi atribuída à Primeira ministra britânica Margareth Thatcher, que em poucas palavras simplifica o poder devastador do socialismo quando implantado em uma sociedade. Dividir a riqueza não é sinônimo de criá-la.

O surgimento da União Soviética

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi criada em 1922 pelos bolcheviques, liderados por Lênin. Esta, permaneceu até o ano 1991, quando foi dissolvida devido a crise do socialismo com as reformas políticas e econômicas implantadas por Mikhail Gorbachev.

Nesse período, o sistema político adotado pela União Soviética era o socialismo. Havia um sistema político baseado num partido único (PCUS), que governava a URSS de maneira centralizada e sem abrir espaço para opositores. Pelo contrário, o regime perseguiu e prendeu milhares de opositores políticos, principalmente até a década de 1970.

O socialismo trouxe riqueza ou pobreza para a União Soviética?

A economia era estatizada, ou seja, todos os meios de produção (indústrias, fazendas, bancos, etc.) eram controlados pelo governo. Os salários também eram controlados pelo governo, de forma que houvesse uma equiparação salarial, evitando assim a formação de desigualdades sociais.

O grau de dificuldade para qualquer cidadão que desejasse obter uma moradia era altíssimo, as filas para conseguir uma moradia numa cidade disputada como Moscou, capital da Rússia, levava em torno de uma década e a burocracia era tão grande que o kremlin classificava 56 tipos de residências que poderiam ser adquiridas através de 120 caminhos diferentes.

Claramente, esse sistema gerava escassez e, apesar de não haver estatísticas oficiais a respeito, acredita-se que na União Soviética existia cerca de 500 mil moradores de rua. Os imóveis disponíveis para o povo eram minúsculos, especialmente se você não fosse membro da elite do partido comunista.

Para aqueles que tiveram a felicidade de conquistar um teto, ainda havia a possibilidade de compartilhar o mesmo local com outras famílias, além do ambiente em volta ter um péssimo saneamento básico e normalmente não haver um sistema de aquecimento central.

Durante a maior parte do governo da União Soviética pelo menos 35% dos seus moradores viviam em apartamentos repartidos com perfeitos estranhos. A privacidade também era a menor possível o que facilitava a descoberta de grupos que ousavam se opor ao sistema do governo.

O sistema também não era muito ideal para duas pessoas recém casadas, por exemplo, um casal poderia trocar seus dois apartamentos de um único quarto por um apartamento com dois quartos, porém, o maior trabalho será para um casal que estivesse na contramão, ou seja, se divorciando, pois deve-se estar disposto a fazer a troca como sistema exigia, que se esperasse anos na fila para ser oficialmente formalizado a transferência legal, e este era muitas vezes o único caminho disponível, mas para aqueles que tivessem algum dinheiro sobrando e desejassem ter um apartamento melhor, havia uma única opção caso fosse um operário de uma fábrica, por exemplo, era possível formar uma cooperativa com os companheiros de trabalho, nesse caso, o próprio Estado concediam empréstimos para liberar a construção de um prédio inteiramente novo.

Como membro dessa cooperativa era dever do funcionário pagar a sua dívida até que o empréstimo fosse completamente quitado, semelhantemente a uma hipoteca. A burocracia desse modelo era enorme, no entanto, assim como em todos os outros, o funcionamento desse sistema o tornavam inoperante.

Apenas 10% das moradias de Moscou eram cooperativas, caso o cidadão fosse membro da elite do partido comunista, claramente, a sua vida teria muito mais estabilidade.

Como era viver em um país socialista?

A população soviética que sonhava em ter um automóvel em 1948, além de passar pelos mesmos processos burocráticos de conquistar uma residência. Um carro popular custava cerca de 5 mil rublos na década de 1970 enquanto o salário médio mensal estava entre 100 e 150 rublos, o que significa dizer que uma família com duas pessoas trabalhando deveria poupar durante quatro a seis anos para obter um modelo próprio.

Havia ainda um problema de não existir concessionárias, desse modo, para garantir um veículo era preciso entrar em uma longa lista de espera no sindicato em que o comprador estivesse filiado, quanto maior era a sua produtividade e melhores os seus antecedentes, teoricamente menor o seu tempo de espera.

Quando finalmente chegava a hora de adquirir o carro, o comprador recebia um voucher indicando o modelo e a cor do veículo que tinha direito e só poderia chegar perto dele depois de realizar o pagamento integral.

Um fato intrigante a respeito do mercado de automóveis na União Soviética, ocorreu quando o governo permitiu que os cinemas exibissem o filme "As vinhas da ira" que mostrava o sofrimento da classe trabalhadora americana durante a grande depressão, os soviéticos saíram das salas de cinema impressionados com o fato de que nos Estados Unidos, um operário comum, por mais que fosse pobre, ainda sim tinha acesso a um carro particular, isso impactou a população de tal forma, que o governo decidiu banir a exibição do filme poucos dias após a sua estreia.

A carga horária de quem tinha a "felicidade" de estar empregado era cerca de 40 horas por semana e permitia em média 21 dias de férias por ano. O país possui mais de 120 milhões de habitantes e menos de 10% dos trabalhadores tinham acesso ao luxo assim como quase tudo na União Soviética.

Os cobiçados vales-férias eram disputados a tapa nos sindicatos, nesse caso o estado podia cobrir até 70% dos gastos com viagem, onde o valor total dessa conta poderia tomar de dois a três meses de salário de um operário médio.

O consumo total de bens na União Soviética era equivalente a um oitavo do nível dos Estados Unidos, os soviéticos destinavam mais dinheiro para bens mais básicos, porém altamente necessários, enquanto os americanos podiam se dar ao luxo de adquirir bens e serviços considerados supérfluos em meados dos anos 80.

Cerca de 51% de todo o dinheiro dos trabalhadores soviéticos era destinado a cobrir custos com alimentação, 21% era reservado para roupas e calçados, 8,4% financiava bens duráveis como móveis, eletrodomésticos e 1,6% era gasto em higiene pessoal.

As famílias soviéticas comuns tinha pouco ou nenhum dinheiro sobrando pra sua alimentação, entretanto, frequentar lugares como restaurante, concerto ou mesmo viajar não faziam parte do padrão de vida dos soviéticos.

Naquele tempo os operários muitas vezes adquiriam coisas que não precisavam, como por exemplo sapatos de tamanhos errados para trocar com alguém no trabalho. A vida de um operário soviético em resumo era escassa e burocrática, não possuía luxo nem privacidade.

Nos hospitais, sobravam profissionais, porém, faltavam medicamentos, a educação era universal, entretanto preparava os jovens para o mercado de trabalho improdutivo. Parte consistente do tempo era gasto em filas que não levavam a lugar algum.

O comunismo na China contemporânea possui o modus operandi semelhante ao da antiga União Soviética. A diferença da qualidade de vida de uma população de um país capitalista para com uma população de um país socialista é exorbitante.

O socialismo na União Soviética beneficiava a Elite

Durante o governo de Stalin, quase 3 mil membros do alto funcionalismo público soviético morava em um edifício especial com 505 amplos apartamentos, sendo dois em cada andar, eles também continham cinema, biblioteca, salão de beleza, cafeteria, clínica de saúde, creche, mercearia, banco, instalações esportivas, e lavanderia self service.

Quando os clubes começaram, pelo menos um terço dos moradores desses apartamentos foram presos. A principal chance de escapar das filas e conseguir um bom imóvel era estabelecendo boas conexões dentro do partido comunista ou subornando as autoridades.

Caso escolhesse a vida mais simples, de um operário comum, a dificuldade seria incomparavelmente maior para tentar controlar a escassez de imóveis nos grandes centros.