O que é comportamento operante e porque é tão importante entendermos

O que é comportamento operante e porque é tão importante entendermos

Nossos comportamentos podem provocar alguma mudança no ambiente, onde estas mudanças serão como consequências que influenciarão diretamente na frequência de um dado comportamento. Por exemplo, quando um jovem dar um “bom dia” para alguma garota que está caminhando na rua e ela retribui com um belo sorriso acompanhado de um “muito obrigada, bom dia para você”.

Nesse exemplo, o comportamento do rapaz em dar um “bom dia” causou uma alteração no ambiente, pois a garota direcionou a sua atenção para o rapaz retribuindo o cumprimento. Este é um simples exemplo de como os nossos comportamentos alteram o ambiente.

O que é o comportamento operante

O comportamento operante é um termo criado por Burrhus Frederic Skinner. Este é qualificado como todo comportamento que produz consequências (modificações no ambiente) e é afetado por elas.

Ao estudar sobre comportamento operante, é possível compreender como as nossas habilidades são aprendidas, sendo elas, falar, escrever, ler, raciocinar, dentre outras. 

Veja alguns exemplos de comportamentos e uma das possíveis consequências que eles podem trazer.

ComportamentoConsequência
Dizer "Bom dia"
Ouvir "Bom dia"
Girar a chave
Abrir uma porta
Apertar um botão
Ligar a TV
Estudar para matemática
Obter uma boa nota na matéria
Fazer uma pergunta
Obter uma resposta

O comportamento pode ser controlado pelas suas consequências

As consequências de um determinado comportamento poderão controlá-lo de acordo com o evento produzido. Exemplo, supondo que dois jovens virgens acabaram de se conhecer, e tendo eles uma conversa franca, decidem ter a sua primeira relação sexual. Certamente, o esperado é que seja algo agradável, prazeroso, memorável, uma experiência maravilhosa. Caso a relação entre os dois tenha sido prazerosa, provavelmente, o casal retornará a ter novas relações amorosas assim que possível.

Porém, se a inexperiência deles atrapalhar a relação, tornando o ato como algo desagradável, doloroso, querendo que tudo acabe logo, a partir desse ponto, pode-se concluir que o resultado não saiu conforme o esperado, muito pelo contrário, foi algo constrangedor e, que se possível, eles apagariam da memória.

Portanto, a probabilidade desses dois jovens se encontrarem mais uma vez para ter outra relação diminuiu exponencialmente.

Basicamente, podemos dizer que a relação sexual é o comportamento, e o prazer é a consequência. Logo, desejar ter uma relação sempre que possível entre o mesmo par, é um comportamento que foi reforçado por uma consequência positiva, aumentando a frequência do comportamento.

Crianças que utilizam de estratégia o seu choro escandaloso para conseguir algo de seus pais é um ótimo exemplo de como o comportamento pode ser alterado.

Quando uma criança começa a fazer birra até conseguir o que ela deseja, neste momento, podemos dizer que o seu comportamento de "fazer birra" está sendo determinado pela consequência gerada, pois sempre que os pais cedem a esse tipo de comportamento da criança, fica incutido nelas uma ideia de que quando quiserem alguma coisa de seus pais, basta apelarem "abrindo o bocão e fazendo muito barulho".

Nesse caso, pode-se concluir que toda criança birrenta ficou assim por conta da fraqueza de seus pais que não foram firmes em dizer não quando necessário e suportar qualquer birra por parte da criança.

Uma solução para alterar um comportamento birrento de uma criança, seria a consequência de um "não" como resposta a criança toda vez que ela fizesse birra para conseguir alguma coisa, e sempre que possível, responder "sim" para quando ela pedisse educadamente. Desse modo, a consequência alteraria o comportamento da criança, tornando-a mais educada.

O Reforço

Reforço, é a probabilidade a qual um determinado comportamento pode voltar a ocorrer. Portanto, toda vez que o organismo emitir um comportamento, onde as consequências deste irão realizar alterações no ambiente fazendo com que o mesmo comportamento se repita novamente com mais frequência, essa ocorrência é chamada de reforço.

Existem dois tipos de reforço, positivo e negativo, ambos estão presentes em nosso dia a dia, seja mantendo ou aumentando a probabilidade de um determinado comportamento ocorrer a partir de um estímulo gerado pelo ambiente.

Reforço Positivo

Esse tipo de reforço é relativamente simples de entender e é a maneira mais eficaz de ensinar uma pessoa um novo comportamento.

Imagine que você está aprendendo a tocar violão e após um mês de aprendizado decida mostrar o que aprendeu para seus amigos. Após preparar e realizar uma apresentação para seus amigos, eles lhe aplaudem intensamente, deixando você muito feliz e com vontade se aprofundar ainda mais nas aulas de violão.

O aplauso recebido por parte de seus amigos é uma consequência da boa apresentação que você fez, esse estímulo gerado pelo ambiente motivou você a intensificar seus estudos de violão. Esse evento que ocorreu é chamado de reforço positivo.

O reforço positivo consiste em um ou mais estímulos (consequências) geradas pelo ambiente que aumentam ou mantém a probabilidade de um determinado comportamento voltar a acontecer.

Para que haja um reforço positivo, é preciso haver o acréscimo de algum estímulo reforçador proveniente do ambiente, no exemplo apresentando, este estímulo foi o aplauso dos amigos que reforçou o comportamento de aprender a tocar violão.

Reforçadores naturais e arbitrários

Quando compreendemos o que é comportamento operante e qual o papel do reforço dentro dele, provavelmente, vem a nossa cabeça formas de como utilizar esse conhecimento na prática. Caso você tenha pensado assim, infelizmente, não é tão simples, justamente por conta de dois fatores muito importantes, são eles, os reforçadores naturais e arbitrários.

O reforço natural, é aquele no qual um determinado comportamento é reforçado por uma consequência que veio de forma natural, por exemplo, um aluno que estuda para uma matéria complicada da escola, onde a maioria de seus colegas possuem dificuldade nela, ele receberá boas notas, bem como elogios dos demais alunos e do seu professor, o que implica em um reforço no seu comportamento de estudar. Desse modo, sabemos que estas consequências vieram de forma natural através do estudo por parte do aluno.

Porém, tentar reforçar o comportamento de alguém por meio do reforço natural pode ser extremamente difícil, visto que, é complexo utilizá-lo na prática. Imagine que você deseja usar o reforço natural para reforçar o comportamento de estudar de uma criança, então, você tenta convencê-la de que estudar é bom, pois lhe trará boas notas, um bom emprego no futuro, sua família poderá ter uma boa estabilidade financeira, etc. Os argumentos utilizados, provavelmente, não surtirão o efeito esperado, já que as crianças esperam por resultados a curto prazo, elas querem ver a consequência de seu comportamento acontecer da forma mais rápida possível.

Para esse problema, existe um tipo de reforço muito utilizado em nosso dia a dia, é o reforço arbitrário. Esse tipo de reforço comportamental é como se fosse uma barganha, pois se utiliza de alguns recursos geralmente vantajosos para a pessoa. Exemplo, para estimular que uma criança estude para uma matéria demasiadamente difícil da escola, no reforço arbitrário, pode-se recorrer a certos "incentivos" como dizer a criança "Se você estudar para essa matéria e tirar uma boa nota, eu vou te dar o brinquedo dos seus sonhos". Esse tipo de estratégia, apesar de parecer ser inadequado, porém, para crianças, pode ser extremamente eficaz, pois como já dito, não é fácil conscientizar alguém de tenra idade a estudar tendo como argumentos benefícios que ocorrerão a longo prazo.

Reforço Negativo

Ao contrário do reforço positivo que é causado pelo acréscimo de um estímulo reforçador, o reforço negativo ocorre quando é retirado um estímulo do ambiente.

O reforço negativo também não diminui a probabilidade do comportamento voltar a ocorrer, na verdade, ele permanece igual ao reforço positivo, ou seja, ele também aumenta ou mantém a probabilidade do comportamento ocorrer novamente.

Suponha que você sempre teve o costume de colocar o cinto de segurança ao entrar no carro, mas houve uma vez que você esqueceu de colocá-lo. A partir de então, o carro começar a disparar um bipe extremamente irritante até que você coloque o cinto.

Nesse exemplo, o bipe irritante que o carro emitiu foi um estímulo negativo do ambiente para o organismo (você) que manteve o comportamento de colocar o cinto de segurança.

Punição

A Punição é um tipo especial de consequência que consiste em diminuir a frequência de um comportamento. Portanto, só haverá punição, se e somente se, a probabilidade de um comportamento voltar acontecer for subtraída.

Há dois tipos de punição, positiva e negativa, estas, trabalham acrescentando ou retirando um estímulo do ambiente da mesma forma que o reforço (positivo e negativo). Porém, o reforço propriamente dito, atua no aumento da frequência de um comportamento, enquanto, a punição busca diminuir esta frequência.

Punição positiva

Suponha que uma pessoa está dirigindo uma moto e deseja mudar de faixa, ela imediatamente faz isso sem olhar no retrovisor, bem como não deu a seta indicando a mudança, como consequência, um carro que vem logo atrás bate na moto derrubando o motorista e causando alguns danos físicos. A partir desse dia, o motorista da moto criou o costume de realizar uma mudança de faixa olhando para o retrovisor e ligando a seta de direção. Note que o motorista ainda realiza mudanças de faixa de forma displicente. Entretanto, esse comportamento diminuiu consideravelmente após o acidente.

A consequência obtida a partir do comportamento do motorista fez com que ele diminuísse a frequência de seu comportamento perigoso, dessa forma, podemos dizer que o motorista foi punido positivamente.

O acidente de trânsito foi o acréscimo de um estímulo aversivo no ambiente. Esse estímulo, diminuiu a frequência do comportamento perigoso do motorista, onde, essa decisão, foi tomada afim de que não ocorresse novamente esse tipo de acidente.

A punição positiva é um tipo especial de consequência que diminui a frequência de um determinado comportamento do organismo, acrescentando um estímulo aversivo (punitivo) ao ambiente.

Punição negativa

A punição negativa consiste em eliminar reforçadores de outros comportamentos do ambiente. Desse modo, diminui a probabilidade do comportamento acontecer no futuro.

Suponha que uma criança ganhe uma mesada de R$ 100,00 toda semana. Esta criança começa faltar as aulas da escola, em detrimento disso, seus pais decidem diminuir a sua mesada para R$ 20,00. Após essa decisão, a criança deixa de faltar as aulas para que seus pais volte a lhe dar a sua mesada inteira.

Note que a criança só parou de faltar as aulas após a diminuição do comportamento de seus pais em dar uma mesada de R$ 100,00 para ela. Isso significa que a punição negativa atua na diminuição de outros comportamentos, consequentemente, após diminuir a frequência do comportamento dos pais da criança em dar a mesada, isso fez com que houvesse uma diminuição no comportamento da criança em faltar as aulas.

A punição negativa é um tipo especial de consequência que diminui a frequência de um determinado comportamento do organismo atuando na diminuição de um estímulo reforçador do ambiente.

Extinção Operante

Sabemos que o comportamento traz consequências que podem modificar o ambiente. Estas consequências podem ajudar a manter ou aumentar a frequência de um determinado comportamento através do reforço obtido por elas, bem como diminuir essa frequência a partir de um processo de punição.

Não obstante, é possível também extinguir um comportamento pela diminuição de seu reforço, onde, cada vez que atacamos o reforço (consequência que aumenta a frequência de um comportamento), o comportamento tende a retornar ao seu estado operante, esse processo é chamado de extinção operante.

Efeitos provocados durante a extinção do comportamento

  • Aumento da frequência do comportamento: quando um comportamento é colocado em extinção, no inicio, haverá um grande aumento na frequência dele. Exemplo, suponha que você vai visitar o seu amigo, ao chegar na casa dele, é necessário apertar uma campainha. Então, você pressiona a primeira vez e aguarda 5 segundos, depois volta a pressionar e aguarda mais 5 segundos, neste momento, seu comportamento de pressionar a campainha é colocado em extinção. A partir desse ponto, a frequência de seu comportamento tende a aumentar, onde, provavelmente, você pressionará a campainha mais rapidamente, como a cada 2 segundos, em seguida, começará a pressioná-la em combo, ou seja, 3 toques em menos de 1 segundo e assim por diante.
  • Aumento da variabilidade do comportamento: utilizando o exemplo anterior, durante o processo de extinção, as formas que você utiliza para pressionar a campainha poderão variar, exemplo, uma hora você aperta com a mão direita, depois com a esquerda, aperta e grita “ei de casa”, etc.
  • Surgimento de respostas emocionais: ainda no mesmo exemplo, ao pressionar a campainha por diversas vezes e perceber que ninguém veio atendê-lo, você começa a apresentar algumas emoções como (frustração, raiva, irritação, etc).

É possível confundir a extinção com o reforço negativo. A principal diferença está no papel que eles exercem sobre o comportamento. O reforço negativo busca diminuir a frequência de um comportamento ocorrer, enquanto, a extinção visa extinguir um comportamento.