Design Inteligente, uma teoria científica fantástica

Design Inteligente, uma teoria científica fantástica

O design inteligente é uma teoria científica que tem suas raízes na teoria da informação e nas observações sobre a ação inteligente. A teoria do design inteligente faz inferências baseadas em observações sobre os tipos de complexidade que podem ser produzidos pela ação de agentes inteligentes versus os tipos de informação que podem ser produzidos através de processos puramente naturais para inferir que a vida foi projetada por uma mente inteligente.

O design inteligente conta com uma comunidade de cientistas, filósofos e outros estudiosos renomados que buscam evidências de design na natureza. Eles sustentam que certas características do universo e dos seres vivos são explicadas de forma mais coerente a partir de uma causa inteligente, não por um processo não direcionado ou casual, como a seleção natural.

Através do estudo e análise dos componentes de um sistema, um teórico do design é capaz de determinar se várias estruturas naturais são o produto do acaso, lei natural, design inteligente ou alguma combinação entre elas.

O design inteligente é uma teoria científica?

Essa teoria é considerada por alguns cientistas como uma pseudociência, ou pelo menos, a última compreensão do criacionismo quanto à legitimidade científica. Porém, o método científico é geralmente descrito como um processo de quatro etapas, envolvendo observações, hipóteses, experimentos e conclusões.

O design inteligente começa com a observação de que agentes inteligentes produzem CSI (Complex and Specified Information) ou informações complexas e especificadas. Os teóricos do design supõem que, se um objeto natural foi projetado, ele conterá altos níveis de CSI. Os cientistas então realizam testes experimentais em objetos naturais para determinar se eles contêm informações complexas e especificadas. Uma forma facilmente testável de CSI é a complexidade irredutível, que pode ser descoberta por estruturas biológicas de engenharia reversa experimentalmente para ver se elas exigem que todas as suas partes funcionem. Quando os pesquisadores de identificação encontram complexidade irredutível na biologia, concluem que essas estruturas foram projetadas.

Contexto histórico

O termo "design inteligente” parece ter sido cunhado em seu uso científico contemporâneo pelo cosmologista ateu Dr. Fred Hoyle, que em 1982 argumentou que “se alguém avançar diretamente nesse assunto, sem ser desviado pelo medo de incorrer em ira da opinião científica, chega-se à conclusão de que os biomateriais com sua incrível medida de ordem devem ser o resultado do design inteligente".

O design inteligente foi formulado na década de 1990, principalmente nos Estados Unidos, como uma refutação explícita da teoria do naturalista, geólogo e biólogo Charles Darwin (1809-1882).

Os defensores do design inteligente observaram que as partes e sistemas funcionais dos organismos vivos são "irredutivelmente complexas", no sentido que nenhuma de suas partes componentes possa ser removida sem causar a interrupção de todo o sistema. A partir dessa premissa, eles inferiram que nenhum sistema desse tipo poderia surgir através da alteração gradual dos sistemas precursores funcionais por meio de mutação aleatória e seleção natural, em vez disso, os organismos vivos devem ter sido criados de uma só vez por um projetista inteligente.

A biologia é o estudo de coisas complicadas que parecem ter sido projetadas com um propósito.
Charles Darwin

O termo “design inteligente” também foi usado pelo não cientista James E. Horigan em seu livro de 1979, Chance ou Design? onde Horigan usou o termo “design inteligente” e enquadrou seu argumento como empírico, sem precisar recorrer a referências bíblicas ou outras referências religiosas.

Design Inteligente e Criacionismo são iguais?

Críticos honestos do design inteligente reconhecem a diferença entre design inteligente e criacionismo. A teoria do design inteligente é simplesmente um esforço para detectar empiricamente se o "design aparente" na natureza reconhecido por praticamente todos os biólogos é um design genuíno (o produto de uma causa inteligente) ou é simplesmente o produto de um processo não direcionado, como a seleção natural atuando em variações aleatórias.

O design inteligente foi amplamente percebido como aliado ao criacionismo científico, pois traz a noção de que fatos científicos podem ser usados em apoio à criação divina das várias formas de vida. Os defensores do design inteligente sustentaram, no entanto, que eles não assumiram posição sobre a criação e não estavam preocupados com o literalismo bíblico.

O criacionismo normalmente começa com um texto religioso e tenta ver como as descobertas da ciência podem ser reconciliadas com ele. O design inteligente começa com a evidência empírica da natureza e procura determinar quais inferências podem ser extraídas dessa evidência.

Princípios do Design Inteligente

Toda teoria científica possui seus pilares. Desse modo, sendo o design inteligente uma teoria científica, ele se apoia em três princípios essenciais: complexidade irredutível, complexidade específica e princípio antrópico.

Complexidade Irredutível

Charles Darwin forneceu um critério pelo qual sua teoria da evolução poderia ser falsificada ao dizer "Se pudesse ser demonstrado que existia algum órgão complexo que não poderia ter sido formado por numerosas, sucessivas e leves modificações, minha teoria seria totalmente destruída".

Como a evolução é um processo gradual no qual pequenas modificações produzem vantagens para a sobrevivência, ela não pode produzir estruturas complexas em um curto espaço de tempo. É um processo passo a passo que pode gradualmente criar e modificar estruturas complexas, mas não pode produzi-las repentinamente.

A vida é composta de partes entrelaçadas que dependem umas das outras para serem úteis. A partir dessa primícia, a complexidade irredutível é um sistema único composto por várias partes interagentes que combinam com a função básica, em que a remoção de qualquer uma das partes faria com que o sistema parasse de funcionar eficientemente.

O olho é obviamente um sistema muito útil. Se tirar o globo ocular, ou nervo óptico, ou o córtex visual, esse sistema para de funcionar. Um olho só pode ser um sistema útil se todas as suas partes estiverem presentes e funcionando corretamente. Logo, o olho é um fator primordial para a sobrevivência de determinados seres vivos e, portanto, o processo de seleção natural eliminaria diversas especieis, como as aves de rapina.

Complexidade Específica

Segundo o matemático e filósofo William A. Dembski, "dado um evento, objeto ou estrutura, para nos convencer de que ele foi projetado, precisamos mostrar que é improvável (complexo) e adequadamente modelado (específico)".

O argumento de complexidade específica afirma que é impossível que padrões complexos sejam desenvolvidos por processos aleatórios. Por exemplo, se colocar em uma sala 1000 macacos e um computador, talvez aconteça que um dos macacos consiga ligar o computador, quem sabe até abrir um editor de texto e escrever algumas palavras, porém, jamais produzirão o roteiro de uma peça shakespeariana, visto que, uma peça é obra de uma mente inteligente, portanto, algo tão magnífico e harmônico não poderia ser proveniente de eventos não direcionados.

Princípio Antrópico

O princípio antrópico surgiu devido a Brandon Carter, que articulou o princípio antrópico em reação ao Princípio Copernicano, onde se afirma que os humanos não ocupam uma posição privilegiada no universo. Porém, Carter disse "embora nossa situação não seja necessariamente central, é inevitavelmente privilegiada até certo ponto".

O princípio antrópico do Design Inteligente afirma que o mundo e o universo são "ajustados" para permitir a vida na Terra. Se a proporção de elementos na atmosfera da Terra fosse ligeiramente alterada, muitas espécies deixariam de existir rapidamente. Se a Terra estivesse significativamente mais próxima ou mais distante do Sol, muitas espécies deixariam de existir.

A tentação de acreditar que o Universo é o produto de algum tipo de design, uma manifestação de sutil julgamento estético e matemático, é esmagadora".
Paul Davies

Conclusão

Embora a Teoria do Design Inteligente não pretenda identificar a fonte da inteligência (Deus do cristianismo, deuses egípcios, deuses gregos, mitologia nórdica, OVNI, Brahma, etc), a grande maioria dos teóricos do Design Inteligente são teístas. Eles veem a aparência do desígnio que permeia o mundo biológico como evidência da existência de Deus.

Em geral, não há menções a Deus, religião ou adesão de textos religiosos, mas sim observações sobre como o design inteligente funciona no presente para examinar aspectos do mundo natural a fim de constatar se eles foram projetados.

De forma bem simples, a teoria do design inteligente baseia-se na aplicação de observações sobre ação inteligente e princípios da teoria da informação na construção de sistemas biológicos. Não há nada de místico, sobrenatural, religioso ou não científico na teoria do design inteligente. Em sua forma atual, a teoria do design inteligente também não pode dizer nada sobre o designer, a não ser que ele é inteligente.

Referências

INTELLIGENT DESIGN. What Is Intelligent Design. Disponível em: intelligentdesign.org
INTELLIGENT DESIGN. A Brief History of Intelligent Design. Disponível em: intelligentdesign.org
IDEIA CENTER. The Science Behind Intelligent Design Theory. Disponível em: ideacenter.org
GLICK, Thomas. Intelligent design. Disponível em: britannica.com
GOTQUESTIONS. What is the Intelligent Design Theory. Disponível em: https://www.gotquestions.org/intelligent-design.html